AÇÕES DE GRAÇAS

Tornou-se lugar comum afirmar que a gratidão é a memória do coração, o que vale dizer: para ser agradecido é mister fazer o uso da lembrança. Não é sem razão que a Escritura Sagrada insta a que "não nos esqueçamos dos benefícios de Deus" (Salmo 103.2) e recomenda a "lembrar do Criador nos dias da mocidade" (Eclesiastes 12.1); a própria celebração da Ceia do Senhor deve trazer à lume o "em memória de mim" (Lucas 22.19). 

Neste sentido é possível afirmar que vivemos uma onda de certo desmemoriamento, ou seja, falta de lembrança, pois a gratidão não tem sido praticada como o deveria. Vivemos a nos queixar e murmurar, lamentar e reclamar, criticar e acusar, tanto, que parece não haver nada de bom e agradável em nosso redor que inspire a abençoada gratidão. 

Na verdade, não se trata de mero esquecimento, mas de absoluta desatenção. Não nos achamos focados no que é bom e verdadeiro, no que é justo e correto, no que edifica e abençoa. Nossos olhos estão postos em outros intentos, daí, nosso pouco empenho em exercitar a gratidão. 

Nos achamos extremamente focados em nós mesmos, imaginando que o universo gira em torno de nossos interesses; caso eles não sejam atendidos, só nos resta reclamar e ficar procurando culpados em redor. Nisto não há nenhuma novidade, nossos primeiros pais no Éden deram provas cabais deste tipo de atitude (Gênesis 3). 

Doutra sorte, pomos nossos olhos nos problemas, olvidando as soluções que já se acham em curso. Já se disse que a humanidade está dividida em duas categorias de pessoas, as que fazem parte do problema e as que fazem parte da solução. No entanto, em certa medida, somos extremamente inclinados a participar do primeiro segmento, e somente com muito custo nos postamos ao lado do segundo. 

Os tempos sombrios que caíram sobre a humanidade nestes quase dois anos deram azo a esta sórdida tendência de concentração nos problemas. Tangidos pela mídia ávida por audiência, permitimos que penetrasse em nossos corações um clima de horror e medo. O lema "notícia ruim é que vende" foi levado ao limite de toda a paciência. O prazer indisfarçável dos responsáveis por notificar índices de contágio e óbito se evidenciou patológico. 

O foco no problema tira a atenção da solução e se torna risível (se trágico não fosse) diante do que efetivamente acontece. Ao escandaloso número de contágios e mortes, temos um extraordinário volume de cura e vida, aliado ao empenho e a solidariedade, culminando com avanço e esperança. Mas o esquecediço não consegue sair do labirinto em que se acha envolvido e definitivamente olvida as ações de graças. 

Se a falta da gratidão se acha atrelada ao nosso egocentrismo e visão distorcida a realidade, sua prática decorre de termos nosso foco em Deus, nosso Senhor e Salvador. 

Mais que ter em conta as bênçãos divinas, é necessário que estejamos centrados na próprio Deus das bênçãos. Louvor e adoração são, antes de tudo, resultado de nosso conhecimento de quem Deus é. Só podemos dar graças a Deus por um novo dia que surge, porque há um Deus que faz, uma vez mais, o sol raiar. 

No lamentável contexto em que vivia Jeremias, o Profeta declara; "As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se a cada manhã" (Lamentações 3.22). Significa que agradecemos o novo dia franqueado porque há um Deus rico em misericórdia. "O Pai de misericórdia e Deus de toda a consolação" (II Coríntios 1.3), que nos acompanha ao longo de todos os nossos dias, em meio a lutas e problemas, mas sempre agindo com poder e graça. Pois, "aquele que não poupou seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou, porventura, não nos dará graciosamente com ele todas as coisas?" (Romanos 8.32). 

Rev. Juarez Marcondes Filho 

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