O LEGADO DE JOSÉ

Passando em revista os grandes personagens do Livro de Gênesis, não poderíamos olvidar de José. Dentro do tema "Meu Lar aos cuidados do Senhor", falamos do bisavô de José, Abraão, que prontamente atendeu ao chamado divino para constituir uma nação a partir de uma diminuta família, com vistas ao propósito de ser bênção para todas as famílias da terra (Gênesis 12.3); também, acompanhamos os princípios que nortearam o casamento do avô de José, Isaque, e que servem de balizamento para a vida conjugal de todos nós (Gênesis 24); por fim, houve oportunidade de nos avistarmos com a história do pai de José, o controvertido Jacó, mas que finalmente tornou-se convertido, chegando a mudar até de nome (Gênesis 32.22-32). 

José, portanto, é a quarta geração do Patriarca Abraão; diferentemente das gerações anteriores, de famílias diminutas, José nasce no seio de um lar com 12 filhos e 1 filha (pelo menos os que são mencionados na Bíblia). Ademais, 11 de seus irmãos, na verdade, são meio-irmãos, pois seu pai teve filhos de 4 mulheres. Ciúmes, invejas, brigas, intrigas, eram uma rotina na família de José; sendo ele o penúltimo dos filhos (apenas o temporão Benjamim chegou depois), com certeza, sofria na mão de seus irmãos mais velhos. 

Gênesis 37 é um marco na sofrida vida de José; do alto de seus 17 anos, cheio de sonhos e venturas, é traiçoeiramente vendido por seus irmãos a mercadores ismaelitas, que na sequência o negociaram com egípcios. O jovem livre tornou-se um homem escravo, privado de direitos, não podendo discernir no horizonte a realização de seus intentos. 

Mas os caminhos do Senhor são mais elevados que os do homem (Isaías 55.8-9), e chegamos ao fim do primeiro livro da Bíblia vendo José como a figura mais destacada do mundo conhecido, tido mesmo como um salvador (que também é o significado do seu nome). Cabe aqui uma indagação: quais foram os elementos decisivos que mudaram este estado de coisas? A continuidade da história de José nos dá a resposta. 

Sempre em boa companhia"O Senhor era com José" (Gênesis 39.2). Mesmo sendo um escravo, José foi contemplado com a presença do Deus que livra aos seus. Quando foi trabalhar na casa do comandante da guarda egípcia, Potifar, José continuou sendo um serviçal, porém em momento algum ficou privado da companhia do Senhor. Isto era notório, pois o próprio Potifar via que o Senhor era com ele (Gênesis 39.3). Nossa vida é um livro aberto, que não pode se ocultar. 

Nestes tempos que se privilegia tanto a fé privada, exercida exclusivamente no âmbito do lar, em que prevalece o discurso de que cada qual pratique seu credo de maneira discreta, com certeza José não se coadunaria. A certeza da presença de Deus em sua vida se achava evidente a todos. 

Quanto valia a vida de José? Financeiramente, R$ 15.160,00, convertidos os 20 siclos de prata; na revenda a Potifar um spread aumentou seu valor. Mas o valor real de sua vida era avaliado pela comunhão com Deus. Asafe declara: "Quem mais tenho eu no céu? Não há outro em quem em me compraza na terra" (Salmo 73.25); e Davi faz coro: "Tu és o meu Senhor; outro bem não possuo, senão somente a ti" (Salmo 16.2). 

Sempre com boa conduta. O episódio da mulher de Potifar tem, ao mesmo tempo, comicidade e tragédia. Seu objetivo era seduzir o jovem José para atender suas carências afetivas; para isto não lhe faltou expedientes, mesmo que fosse à própria força; não tendo encontrado êxito, restou-lhe inverter a estória, fazendo recair sobre o escravo às más intenções. 

Do alto de seus efervescentes hormônios, a reação de José é um primor: "como, pois, cometeria tamanha maldade e pecaria contra Deus?" (Gênesis 39.9). A cultura e os costumes mundanos não alteraram a conduta de José (continua). 

Rev. Juarez Marcondes Filho 

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