Ser Presbiteriano
Que significa ser
presbiteriano? De onde vem esse nome? Que é que caracteriza a Igreja
Presbiteriana? Num dicionário,
pode-se saber que o nome da Igreja Presbiteriana vem do grego presbyteros, palavra que foi simplesmente transliterada para o português
com a forma de "presbítero". No grego queria dizer "ancião", "idoso" e era com esta palavra que
os escritores do Novo Testamento designavam os dirigentes das igrejas
cristãs, mesmo quando eles não eram pessoas idosas.
Diz ainda o dicionário
que o Presbiterianismo é um sistema eclesiástico que tem seu governo
depositado nas mãos dos "presbíteros" e não nas dos
"bispos" (sistema episcopal, católico ou não) ou da
"assembléia" (como no sistema congregacional). Isto não
esclarece muito sobre a natureza e características desta Igreja, mas
pelo menos fica-se sabendo de uma coisa: é que, relativamente ao
governo eclesiástico, a Igreja Presbiteriana representa um meio termo
entre o sistema monárquico-episcopal e o de democracia direta que é
praticado nos sistemas congregacionais.
Um pouco de história
Quando alguém se
declara presbiteriano, não está somente a dizer que é partidário
de uma determinada forma de governo da igreja e, neste caso, de um
sistema democrático-representativo. Para aprofundar o conhecimento do
significado do nome desta Igreja, é necessário fazer-se uma incursão
hist6rica, ainda que breve. Primeiro, esta Igreja é um ramo da Igreja
Cristã Universal, fundada por Jesus Cristo. Historicamente, a Igreja
Presbiteriana começou no século 16, com o Reformador João Calvino.
Como se sabe, o iniciador da Reforma Protestante foi Martinho Lutero,
monge da Ordem de Santo Agostinho. Lutero era, fundamentalmente, um místico
e um profeta. A sua ação foi mais de pregador apaixonado que de
organizador e sistematizador. Essa função coube mais a Calvino que,
por ter formação universitária de jurista e teólogo, bem como por
sua maneira de ser e por sua orientação humanista, foi o grande
sistematizador das idéias da Reforma. Desde sua conversão ao
protestantismo, em 1532, sentiu a necessidade de dar expressão
doutrinária às idéias suscitadas pela leitura da Bíblia. Assim
surgiram as Institutas ou Instrução
na Religião Cristã, o primeiro trabalho de sistematização
da teologia protestante. Nesta obra, surgem algumas diferenças em
relação ao pensamento do Martinho Lutero. No essencial, Calvino está
ao lado do gigante de Wittenberg, mas seu conceito de Igreja é muito
mais rico do que o do teólogo alemão. Calvino tinha também maior
preocupação quanto ao envolvimento do cristão com a vida da
sociedade.
Para marcar a posição
do autor das Institutas e seus partidários,
distinguindo-os da corrente luterana, começou-se a designar aquela
corrente doutrinária por calvinista. Mas
Calvino, que não desejava que o movimento fosse conhecido por seu
nome pessoal, deu a Si próprio e aos seus correligionários a designação
de cristãos reformados. E é este o nome que
acabou por ser dado a Igreja que constituíram: Igreja Reformada.
Organizada a primeira Igreja Reformada na Suíça, em Genebra,
outras surgiram pela Europa. Assim foi formada a Igreja Reformada da
França, a Igreja Reformada da Holanda, a Igreja Reformada da
Alemanha. o sistema do Calvino, mais lógico, mais coerente, tomava
rapidamente a dianteira sobre o luteranismo. Na Escócia, um padre e
professor da Universidade de Santo André, em Glasgow, chamado João Knox, aderiu às idéias da Reforma e, tendo de exilar-se em
Genebra, ali entrou em contato com Calvino, a quem muito admirou.
Conquistado de alma e coração pelas doutrinas e métodos desse
Reformador, quando voltou à sua terra escreveu um Livro de
Disciplina, inspirado no calvinismo, que só tornou o
regulamento do protestantismo escocês. É a João Knox e a seu
sucessor, André Melville, que se deve principalmente o sistema
presbiteriano de governo por ministros e leigos, numa série do concílios,
em ordem ascendente, desde o Conselho local (governo da comunidade),
Presbitérios (concílios regionais) e
Assembléia Geral (sínodo nacional). Como os dirigentes desse sistema
eclesiástico são denominados presbíteros
(presbítero docente o ministro, presbítero regente o representante
do povo), facilmente o sistema se tomou conhecido por presbiteriano.
A primeira Igreja com o nome de Presbiteriana apareceu na Escócia, há
quatrocentos anos, quando o Parlamento escocês aboliu o catolicismo e
declarou este sistema como Igreja oficial da Escócia.
Ênfases teológicas
Houve tempo em que o
Presbiterianismo tinha algumas doutrinas específicas como, por
exemplo, a doutrina da predestinação incondicional, mas hoje será
mais apropriado falar-se em ênfases teológicas do Presbiterianismo
de que em doutrinas específicas.
A Igreja
Presbiteriana tem uma vocação muito particular para o Ecumenismo
verdadeiro. Desde o tempo de Calvino, ela repudiou a idéia sectária
que estabelece a necessidade de pertencer a esta ou aquela Denominação
Cristã para se obter a salvação, dando ênfase constante a afirmação
de que é a fé e somente ela que nos dá acesso a comunhão com o
Senhor. Tomando a dianteira nos esforços pela unidade dos diversos
ramos da Igreja de Cristo, a Igreja Presbiteriana tem concorrido
bastante para o novo espirito de tolerância que se respira na
Cristandade. A abertura da Igreja Presbiteriana pode avaliar-se por
este exemplo prático: Os pastores presbiterianos podem batizar por
aspersão ou por imersão, dando-se importância maior ao conteúdo do
que a forma do sacramento. Procura-se, como princípio de tudo,
respeitar a consciência dos crentes. As ênfases teológicas a que
nos referimos acima podem ser assim resumidas:
- Declaramos que a Igreja existe não para felicidade pessoal ou
para utilidade pública, mas para cultuar e servir a Deus;
- A fonte da doutrina Cristã e' a Sagrada Escritura, a Bíblia
- A Igreja é o fundamento do mundo, ou seja, ela e' a comunidade
que, por sua vida, deve demonstrar que Deus criou o mundo, com alvo
de ser o lugar onde se manifesta a Sua glória.
Por ser uma Igreja
rica em formulações teológicas, por vezes dá a idéia, ao
observador de fora, que não se prende suficientemente a nenhuma
formulação particular. É idéia errônea, pois esta Denominação,
até aos dias de hoje, aceita e confessa integral e fielmente, as
doutrinas do Credo dos Apóstolos e do Credo Niceno.
Uma igreja para servir
Uma pessoa, depois
de ter convivido por algum tempo com presbiterianos manifestou
a sua impressão dizendo que os presbiterianos não tem fala
do religiosos. Essa pessoa estava habituada a conviver com
membros de outras Denominações onde a característica da separação
do mundo se nota até no modo do falar. É um fato que
entre os presbiterianos a separação não é acentuada exteriormente.
Não são os presbiterianos, geralmente, puritanos nem moralistas. Não
tem tradição do ascetismo, de fuga do mundo. Sem desprezar a
interioridade da fé, sabem que o mais importante não é o que
sentem, as experiências místicas, mas o modo
como vivem a fé. E isto sem transformar a fé
em simples ativismo. Desde o século 16, Os presbiterianos se
caracterizam pelo interesse em estudar e conhecer a fé e vivê-la
realmente.
A tradição mais
honrosa desta Confissão é a sua vocação para o serviço. Embora
haja Igrejas que a suplantem na vocação evangelística e outras que
a suplantem na tradição litúrgica, é indubitável que a Igreja
Presbiteriana em todo o mundo se revela possuidora de uma grande vocação
para servir a sociedade.
Sem autoritarismo nem anarquia
A base do sistema
presbiteriano é a congregação local. Ela é independente financeira
e administrativamente A congregação local elege um conselho
denominado Conselho da Comunidade, composto
pelo pastor (presbítero docente, que ensina) e por representantes
eleitos pela congregação (presbíteros regentes, que administram).
As igrejas locais governadas por seu Conselho agrupam-se numa certa área
e formam um conselho regional composto por todos os pastores dessa área
e por um representante leigo de cada Igreja. A função do conselho
regional, o Presbitério, é coordenar as atividades da área. Os vários
Presbitérios agrupam-se, por sua vez, formando uma Assembléia Geral,
que é a autoridade suprema do sistema presbiteriano. Isto significa
que na Igreja Presbiteriana se pratica a democracia representativa: Os
crentes elegem os seus deputados, os quais
administram a Igreja. o governo é sempre exercida por concílios e
nunca por um homem. o presidente da Igreja não tem poder deliberativo
fora do seu concílio, a Assembléia Geral, com sua respectiva comissão
executiva. Claro que, num país de tradição paternalista e autoritária
o sistema presbiteriano por vezes se torna complicado e menos ágil.
As pessoas prefeririam um chefe, um cacique. Mas o sistema
representativo é uma conquista, um progresso. É interessante que
noutras Denominações também se observa a tendência de assumir um
governo eclesiástico semelhante ao presbiteriano.
Existem cerca do 50
milhões do presbiterianos em todo o mundo. Há Igrejas cristãs
maiores, claro. Mas não há dúvida do que a Igreja Presbiteriana tem
desempenhado um papel importante na História dos últimos séculos.
Tem dado grande contribuição à reflexão teológica. Tem estado
atenta aos grandes problemas socais de todos os povos. Tem-se esforçado
por levar este mundo a reconhecer o senhoria do Nosso Senhor Jesus
Cristo.

|